Por meio desta, venho em resposta aos últimos atos. Antes de tudo quero lembrar-te daqueles tempos de outrora. Daqueles tempos em que não havia dor, não muita. Havia alegria e prazer. Não te recordas daquela tarde azul? Daquela que, enquanto eu contemplava o céu nos teus olhos, tu contemplavas o mar no meu cheiro, afagando meus cabelos. Ou daquela vez em que sentimos a brisa mais doce e suave de nossas vidas ao molhar nossos pés, sentados à beira do cais.
Era tempo de paz, meu caro. Ainda hoje, gosto de lembrar o jeito como você me abraçava. Eu me sentia segura, como se nada ruim pudesse me atingir. E se me atingisse, sabia que estarias ao meu lado, me dando força. Éramos amantes, amigos, companheiros...
Recordo-me daquele beijo embaixo daquela enorme escultura de elefante. Na minha cabeça, tudo girava. Meu coração explodia. Nossos desejos se correspondiam. Ou daquele que demos antes que partisses. Esse, portanto, era doce e amargo. Sentia uma alegria em ter aquele sentimento divino por ti, mas tudo me doía quando vía que te perdería. Aquela chama estava em sua plenitude quando fora brutalmente sufocada pelo destino.
Fomos obrigados a nos conformar. O que deveríamos fazer? Sei que, depois daquilo, muito sofri. Muito me arrependi. Muito perdoei. Mas hoje. Hoje, doce amigo. Venho a te dizer que o que sentía por você, passou. O tempo, como sempre faz, o curou. Ainda há cicatrizes, mas elas estão bem cicatrizadas. E me servirão de lembrete para seguir em frente.
Desejo-te, então, muita alegria. Porque agora estou bem. E te quero bem. Saiba que não esqueço de tudo o que passou. Tivemos maravilhosos momentos. E destes vou me lembrar. Entretanto, me lembro deles com ternura, e não com dor e nem mesmo paixão.
Carinhosamente,
Ely
