sábado, 17 de julho de 2010

Carta a um velho amigo

Meu amigo,

Por meio desta, venho em resposta aos últimos atos. Antes de tudo quero lembrar-te daqueles tempos de outrora. Daqueles tempos em que não havia dor, não muita. Havia alegria e prazer. Não te recordas daquela tarde azul? Daquela que, enquanto eu contemplava o céu nos teus olhos, tu contemplavas o mar no meu cheiro, afagando meus cabelos. Ou daquela vez em que sentimos a brisa mais doce e suave de nossas vidas ao molhar nossos pés, sentados à beira do cais.
                  Era tempo de paz, meu caro. Ainda hoje, gosto de lembrar o jeito como você me abraçava. Eu me sentia segura, como se nada ruim pudesse me atingir. E se me atingisse, sabia que estarias ao meu lado, me dando força. Éramos amantes, amigos, companheiros...
                  Recordo-me daquele beijo embaixo daquela enorme escultura de elefante. Na minha cabeça, tudo girava. Meu coração explodia. Nossos desejos se correspondiam. Ou daquele que demos antes que partisses. Esse, portanto, era doce e amargo. Sentia uma alegria em ter aquele sentimento divino por ti, mas tudo me doía quando vía que te perdería. Aquela chama estava em sua plenitude quando fora brutalmente  sufocada pelo destino.
                 Fomos obrigados a nos conformar. O que deveríamos fazer?  Sei que, depois daquilo, muito sofri. Muito me arrependi. Muito perdoei. Mas hoje. Hoje, doce amigo. Venho a te dizer que o que sentía por você, passou. O tempo, como sempre faz, o curou. Ainda há cicatrizes, mas elas estão bem cicatrizadas. E me servirão de lembrete para seguir em frente.
                 Desejo-te, então, muita alegria. Porque agora estou bem. E te quero bem. Saiba que não esqueço de tudo o que passou. Tivemos maravilhosos momentos. E destes vou me lembrar. Entretanto, me lembro deles com ternura, e não com dor e nem mesmo paixão.
                                                          
                                                                                                                               Carinhosamente,
                                                                                                                                                  Ely


sexta-feira, 16 de julho de 2010

O processo

Paro. Penso. Escrevo. Apago. Penso. Pesquiso. Penso. Paro. Escrevo. Modifico. Conserto. Revejo. . Refaço. Me frustro. Paro. Levanto-me. Abro a geladeira. Fecho-a. Brinco com o cachorro. Paro. Penso. Analiso. Volto à posição inicial. Leio. Analiso. Escrevo. Apago. Pesquiso. Me perco no meio das informações. Respiro fundo. Escrevo. Apago. Escrevo. Me desespero. Paro. Desespero-me. Paro. Penso. Escrevo. Deixo. Escuto. Atendo ao telefonema. Volto. Sento-me. Escrevo. Releio. Confundo-me. Escrevo. Apago. Leio. Distraio-me. Leio. Escrevo. Faço outra coisa. Volto. Leio. Distraio-me. Escrevo. Apago. Conserto. Escrevo. Lembro-me de outra coisa. Esqueço. Pesquiso. Escrevo. Modifico...
Let's stop with all this cold, unfelling, indifference and friends. .. "This could be the end of everything.../So why don't we go /Somewhere only we know?" Warm it up, maybe...
Ah, sim! O mundo é grande...e tenho sede de conhecê-lo!

Consideração do poema

Carlos Drummond de Andrade

Não rimarei a palavra sono

com a incorrespondente palavra outono.

Rimarei com a palavra carne

ou qualquer outra, que todas me convêm.

As palavras não nascem amarradas,

elas saltam, se beijam, se dissolvem,

no céu livre por vezes um desenho,

são puras, largas, autênticas, indevassáveis.



Uma pedra no meio do caminho

ou apenas um rastro, não importa.

Estes poetas são meus. De todo o orgulho,

de toda a precisão se incorporam

ao fatal meu lado esquerdo. Furto a Vinicius

sua mais límpida elegia. Bebo em Murilo.

Que Neruda me dê sua gravata

chamejante. Me perco em Apollinaire. Adeus, Maiakovski.

São todos meus irmãos, não são jornais

nem deslizar de lancha entre camélias:

é toda a minha vida que joguei.



Estes poemas são meus. É minha terra

e é ainda mais do que ela. É qualquer homem

ao meio-dia em qualquer praça. É a lanterna

em qualquer estalagem, se ainda as há.

– Há mortos? há mercados? há doenças?

É tudo meu. Ser explosivo, sem fronteiras,

por que falsa mesquinhez me rasgaria?

Que se depositem os beijos na face branca, nas principiantes rugas.

O beijo ainda é um sinal, perdido embora,

da ausência de comércio,

boiando em tempos sujos.



Poeta do finito e da matéria,

cantor sem piedade, sim, sem frágeis lágrimas,

boca tão seca, mas ardor tão casto.

Dar tudo pela presença dos longínquos,

sentir que há ecos, poucos, mas cristal,

não rocha apenas, peixes circulando

sob o navio que leva esta mensagem,

e aves de bico longo conferindo

sua derrota, e dois ou três faróis,

últimos! esperança do mar negro.

Essa viagem é mortal, e começa-la.

Saber que há tudo. E mover-se em meio

a milhões e milhões de formas raras,

secretas, duras. Eis aí meu canto.



Ele é tão baixo que sequer o escuta

ouvido rente ao chão. Mas é tão alto

que as pedras o absorvem. Está na mesa

aberta em livros, cartas e remédios.

Na parede infiltrou-se. O bonde, a rua,

o uniforme de colégio se transformam,

são ondas de carinho te envolvendo.



Como fugir ao mínimo objeto

ou recusar-se ao grande? Os temas passam,

eu sei que passarão, mas tu resistes,

e cresces como fogo, como casa,

como orvalho entre dedos,

na grama, que repousam.



Já agora te sigo a toda parte,

e te desejo e te perco, estou completo,

me destino, me faço tão sublime,

tão natural e cheio de segredos,

tão firme, tão fiel... Tal uma lâmina,

o povo, meu poema, te atravessa.
A menina ansiosa abre o jornal a procura de notícias, atualidades, informação.
Dá uma olhada na capa, vê algo sobre um assassinato terrível, sobre um jogo de futebol, sobre algo mais.
Passa para o miolo do periódico. Parece ter algo sobre um caso de corrupção descoberto, sobre um problema que nunca é resolvido, uma reclamação, pouca ação, muitos escândalos, poucas mudanças, 
Na parte da cultura, um mesmo carinha com a cara bonitinha mas que, no fim das contas, não é nada interessante. Informações sobre uma guerra sem razão, sobre uma causa perdida que ninguém tira da cabeça, sobre a vida de alguém que parece ter uma vida mais interessante que a nossa, mais uma inovação técnológica que vai se unir à categoria 'a-acessórios' ( coisas que queremos ter, achamos que precisamos ter, mas aquilo não faz difenças nenhuma para nós).

Aquele montade de textos que pareciam estar ali só para preencher espaço.

A menina, ao final, confere a data do jornal. Quis verificar se não havia pegado o jornal dia anterior. Não havia, era o jornal daquele dia mesmo. 
newspaper, de new, não trazia nada, afinal.

Distrações

A Literatura, ainda que perdida no meio de devaneios de um professor talvez excessivamente informado, sempre inspira e enriquece a alma. Enquanto ele nos leva a um caleidoscópio de conhecimentos, milhares de sentenças soltas vêm à mente.

Onde estará agora o discernimento entre realidade e fantasia? Os dois mundos se mesclam psicodelicamente, tentando formar um trança-estrada que não leva a lugar nenhum.
As memórias se laçam com as expectativas, a experiência e a imaginação dançam tango. O professor relaciona o Mito da Caverna com os Shoppings Centers.

O azul , o rosa, o laranja, o verde, o amarelo, o preto, o cinza, o rosa e o branco brincam de pique-e-esconde; os cheiros se misturam e se separam; penso no que eu planejo fazer...terei tempo para fazer tudo? Penso no quanto tenho para aprender, o quanto ainda preciso fazer para chegar perto de onde eu quero. O professor então comenta algo sobre publicação de artigos em revistas acadêmicas.

Penso nas minhas canções favoritas. E quais são elas? Que curioso! Não sei quais são as minhas músicas favoritas... talvez eu não goste de nenhuma em especial. Acho que eu gosto de muitas coisas. Mas nada especialmente. O homem engraçado na minha frente continua a falar. Estou atenta ao que ele fala, mas outra parte de mim não deixa de ligar cada palavra dele a uma outra coisa.

Então paro para observar aquela figura. Tem os olhos cansados, sem perder o brilho. O sorriso amarelo. A sede de um estudioso ainda fortemente presente. A mistura de falta de fé no mundo, com a forte presença da mesma o suficiente para ainda tentar mudar alguma coisa. Imagino as diversas experiências que ele já teve, principalmente as internas. Sinto uma vontade de apertar suas bochechas e pedir que ele nunca desista, mesmo quando completamente ignorado.

Penso então sobre o fim. O que é o 'fim'? Confirmo e duvido da existência deste. O fim delimita, acaba, recomeça... o Fim nos questiona: Qual é a razão disso tudo? Foi útil?  Divagar é bom, mas agora chega.
 Garçom! Por favor, a conta. Enquanto não descobrimos a finalidade do fim, o ponto-final dá um empurraozinho.
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segunda-feira, 12 de julho de 2010

Considerações sobre a estética

Hoje, sentei-me a admirar o belo...?o belo...? o belo...??
o belo o quê mesmo?
Ah! E sabe-se lá o que é o belo?

E eu quero lá saber o que é belo?

Eu quero é sentir o belo!

Desfrute o prazer dos sentidos, deixe-os serem massageados.
Leve-se pelo envolvimento e, principalmente, sinta!

(Entenderemos muito mais, nós os leigos, do que se ficarmos discutindo com Baktin a respeito da Estética. Minhas preces, Baktin!)

No tic-tac da vida, pare. Pare e aprecie!
Escute uma canção e sinta a melodia.
E deixe...
Deixe que teus olhos passeiem sobre a obra,
deixe que ela atinja um campo pouco conhecido em você.
E, sobretudo,
Deixe que a poesia dance e brinque com seus sentimento e pensamentos;
Deixe que as letras cantem e dancem, pintem e sejam.
 ( A concluir)