[ Praticamente, somente agora senti que o Natal está próximo. Com esse calendário letivo todo desorganizado ( férias em setembro, aulas em dezembro e janeiro), perdi a noção de tempo. Felizmente, eu e toda a equipe gigantesca da universidade (alunos, professores, funcionários), tivemos um intervalo para descanso no meio de um semestre conturbado. Agora, no terceiro dia de recesso,]
É tempo de família. É tempo de amigos. É tempo de transição. É tempo de reflexão. O ano que chega e o que vai. É inevitável fazer aquele balanço de tudo o que passou. Reviver alguns momentos marcantes. Assim como é inevitável fazer planos para o próximo ano. Aliás, também não deixamos de lembrar os que fizemos na mesma época do ano passado e não cumprimos. E se cumprimos alguns, festejamos. É mais um ano que se vai. Ainda que seja pouca a minha experiência de vida, ela já me mostra a massacrante rápida passagem de tempo. E dói. Dói ver o tempo escorrendo por entre seus dedos. Milhares de planos escorrendo juntos. Já é véspera de Natal! Mal tive tempo de cumprir as promessas do Natal passado. Será que não cumpri por falta de tempo mesmo?
É menos evitável ainda deixar de pensar sobre tais coisas neste momento. Há dez minutos, lía uns versos do senhorzinho Itabira, enquanto suspirava ao contemplar a Lua, magnífica Lua. "Did you exchange a walk on a part in the war for a lead role in a cage?" era o que saía da caixinha de música, meu trecho favorito de "Wish you were here". Me dei conta de que dali a uma semana e meia acabaria o ano. Tão estranho pensar nisso. Deixei tanto no caminho. Tanto contive... "We're just two lost souls swimming in a fish bowl, year after year, running over the same old ground. What have we found? The same old fears " continuava a música. Fechei os olhos, e os dois grandes eu's igualmentes perdidos no grande aquário. Os eu's fragmentados, dispersos por aí. Talvez seja a hora para isso: catá-los e juntá-los. Com certeza terei algo como uma pintura cubista. Porque várias peças não se encaixam muito bem.
Ah! Os planos, os planos. Quando mudá-los? Quando abandoná-los? Quais abandonar? Troca de ano inspira esses tipos de reflexões.