terça-feira, 8 de março de 2011

Eighteen

Acumulo hoje 18 anos de vida. São 6575 dias de vida. 6845 que minha mãe me atura. Muito tempo, não? O engraçado é que a gente tem a sensação que a vida, a vida mesmo, aquela 'braba', está começando só agora. E tudo antes foi preparo. Esse é mais ou menos o momento em que somos jogados, praticamente empurrados, do ninho para o ar. O ar é o mundo. E temos que aprender a voar. Certamente, vamos desequilibrar vez ou outra até voarmos seguramente. É hora de voar então? Traçar nosso caminho, ser responsável pelos nossos atos... É isso que esse número 18 acompanhado da palavra 'anos' representa? É ótimo começar a tomar as rédeas da vida. Mas admito sentir um friozinho na barriga. O caminho é menos seguro agora. Muitas portas agora estão abertas. Depende somente de que eu escolha as portas certas. Maioridade atingida... Responsabilidade garantida?

De tantas coisas, pensar em anos, tempo, idade e vida é sempre um ponto de interrogação. De tantas coisas, todos aqueles questionamentos que começamos a fazer aos seis ou sete anos, continuam até hoje... e sem resposta! Acho mesmo que continuarão. Tomara que continuem. Talvez eles tenham tomado forma diferente, mas continuamos a questionar o mundo, questionar a nós mesmos. Freud tentou explicar. Mas não saciou o ímpeto de descobrir o mundo. Mas o legal mesmo é seguir com essas perguntas pertubando nossa mente. Porque elas tornam a vida assim: misteriosa e dinâmica.

No fundo, no fundo, pouca coisa mudou. Ninguém tem dezoito anos da noite para o dia. Vamos construindo minuto a minuto. Assim como os 19, os 20, os 30... O tempo não para! E é por isso que devemos aproveitar cada parte desse tempo para colocar um tijolo em nosso templo de vida. ...Como dizia o Poetinha: "Passem-se dias, horas, meses, anos /Amadureçam as ilusões da vida /Prossiga ela sempre dividida  / Entre compensações e desenganos." *



*: Soneto do Aniversário, Vinícius de Moraes. Rio, 1942. "Vinícius de Moraes - Poesia Completa e prosa". Rio de Janeiro:Nova Aguilar. 1998. Pág. 451

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