O tema foi inspirado por um livro que tomei emprestado: Noites brancas. A autoria é Dostoiévski. É um romance de memórias de um sonhador. Em determinado momento, o personagem descreve seus próprios devaneios no mundo paralelo em que criou. Inclusive os amores com mulheres que não existem. O personagem se perde em seus sonhos de olhos abertos. Essas descrições me levaram até aqui. Claro que é um assunto um tanto pessoal e delicado para falar aqui, mas creio ser conveniente. O fato é que estou buscando meios de gritar algo latente em mim, um sentimento, uma coisa de tal maneira inexplicável. Pela primeira vez na vida, me sinto completamente entregue. Entregue até mesmo ao acaso. Me mantendo feliz e satisfeita por ter o privilégio de poder ter algo tão nobre em mim.
...Tudo bem, tudo bem. De fato, é meio cedo para dizer isso. O quê quero dizer é que, independente do que se realizar ou não, a magia toda está no coração acelerado, nos inúmeros devaneios calculando situações casuais que tornariam o caso em romance. Sim, estou entregue. E quero dizer que estou entregue ao platonismo. Nem o nome daquele que se destina tamanha energia, eu sei. Mas estou me sentindo, ainda assim, envolta de uma áurea que me pulsa e me faz continuar a acreditar. Acreditar em quê eu também não sei. Mas me sinto hábil para tal.
Não faço ideia do que pode acontecer e se acontecerá. Mas se parar aqui, já me dou por satisfeita.
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