domingo, 21 de fevereiro de 2010

Poeminha Macábro

Cadáveres dentro de mim
Ecoam um som que não existe
A menina que dorme com uma canção
Para fazê-la sonhar,
Como uma música de ninar,
Para que ela durma em paz...

Eu, que tudo quis,
Eu, que queria o mundo,
Perdi as asas
Como se, num relance de sombras,
Eu fosse levada por pombas.

As outras meninas dessa menina
Faleceram as esperanças
Mas sobraram os restos orgânicos
Que os vermes nem reciclaram.

Cadáveres dentro de mim.
Ecoam um som que não existe.
Cadáveres de esperanças de outrora
Que foram assassinados pela raíz.

EMILY ALMEIDA AZARIAS

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