terça-feira, 19 de julho de 2011

Amor de Platão

O tema foi inspirado por um livro que tomei emprestado: Noites brancas. A autoria é Dostoiévski. É um romance de memórias de um sonhador. Em determinado momento, o personagem descreve seus próprios devaneios no mundo paralelo em que criou. Inclusive os amores com mulheres que não existem. O personagem se perde em seus sonhos de olhos abertos. Essas descrições me levaram até aqui. Claro que é um assunto um tanto pessoal e delicado para falar aqui, mas creio ser conveniente. O fato é que estou buscando meios de gritar algo latente em mim, um sentimento, uma coisa de tal maneira inexplicável. Pela primeira vez na vida, me sinto completamente entregue. Entregue até mesmo ao acaso. Me mantendo feliz e satisfeita por ter o privilégio de poder ter algo tão nobre em mim. 
...Tudo bem, tudo bem. De fato, é meio cedo para dizer isso. O quê quero dizer é que, independente do que se realizar ou não, a magia toda está no coração acelerado, nos inúmeros devaneios calculando situações casuais que tornariam o caso em romance. Sim, estou entregue. E quero dizer que estou entregue ao platonismo. Nem o nome daquele que se destina tamanha energia, eu sei. Mas estou me sentindo, ainda assim, envolta de uma áurea que me pulsa e me faz continuar a acreditar. Acreditar em quê eu também não sei. Mas me sinto hábil para tal.
Não faço ideia do que pode acontecer e se acontecerá. Mas se parar aqui, já me dou por satisfeita.

Tirando as teias-de-aranha

Resolvi retomar o blog. Havia perdido a paciência. O que é extremamente normal para mim. E como tema de reabertura escolhi um tema um tanto avassalador... Amores platônicos! Veja minhas considerações sobre o assunto no próximo post...

terça-feira, 12 de abril de 2011

Nota

Somos feitos de múltiplos. Tantas águas passam no mesmo rio. Água da chuva. Água do mar. Água de outros rios. O rio abraça todas as águas. Conduzindo-as sem deixar de ser rio... Eis que renascestes, eis que transformastes. Eis que metamorfoseastes!
O espaço agora dá um intervalo ao momento 'eu', de leitura interna e introspectiva, para dar lugar às ideias mundanas. Opiniões, sugestões, interesses e algo mais. O Atelier de Ideés muda de linha editorial, mas não de editora, quem cansou-se de si, e agora quer o mundo. 

terça-feira, 8 de março de 2011

Dia Internacional das Mulheres.


Dia 08 de março é um dia célebre. Um dia que relembramos a luta pela igualdade das mulheres na linha do tempo. Dia em que evitamos que se esqueça o poder e importância que também as mulheres têm. E vai além: também é o dia em que, ao menos teoricamente, devemos nos lembrar que somos iguais. E não há nada que justifique a crença em qualquer categoria superior.

Especialmente neste ano (2011), em que foi eleita a primeira presidente da República Federativa do Brasil, esse dia não deve passar em branco ( ainda que camuflado pelo Carnaval). Não devem ser esquecidas as operárias russas, que, no início das Revoluções Russas, mostraram sua força no 'Pão e Paz'. Nem as operárias mortas no incêndio da fábrica nova-iorquina, em 25 de março de 1911. Nem nenhuma mulher em qualquer época, faça ela o que fizer.

Para mais informações sobre a data, acesse o site: http://www.piratininga.org.br/artigos/2004/01/blay-8demarco.html .

* A mulher representada na imagem é ninguém menos que a deusa da mitologia grega, Athena. Dentre muitos aspectos, a deusa da sabedoria.


Eighteen

Acumulo hoje 18 anos de vida. São 6575 dias de vida. 6845 que minha mãe me atura. Muito tempo, não? O engraçado é que a gente tem a sensação que a vida, a vida mesmo, aquela 'braba', está começando só agora. E tudo antes foi preparo. Esse é mais ou menos o momento em que somos jogados, praticamente empurrados, do ninho para o ar. O ar é o mundo. E temos que aprender a voar. Certamente, vamos desequilibrar vez ou outra até voarmos seguramente. É hora de voar então? Traçar nosso caminho, ser responsável pelos nossos atos... É isso que esse número 18 acompanhado da palavra 'anos' representa? É ótimo começar a tomar as rédeas da vida. Mas admito sentir um friozinho na barriga. O caminho é menos seguro agora. Muitas portas agora estão abertas. Depende somente de que eu escolha as portas certas. Maioridade atingida... Responsabilidade garantida?

De tantas coisas, pensar em anos, tempo, idade e vida é sempre um ponto de interrogação. De tantas coisas, todos aqueles questionamentos que começamos a fazer aos seis ou sete anos, continuam até hoje... e sem resposta! Acho mesmo que continuarão. Tomara que continuem. Talvez eles tenham tomado forma diferente, mas continuamos a questionar o mundo, questionar a nós mesmos. Freud tentou explicar. Mas não saciou o ímpeto de descobrir o mundo. Mas o legal mesmo é seguir com essas perguntas pertubando nossa mente. Porque elas tornam a vida assim: misteriosa e dinâmica.

No fundo, no fundo, pouca coisa mudou. Ninguém tem dezoito anos da noite para o dia. Vamos construindo minuto a minuto. Assim como os 19, os 20, os 30... O tempo não para! E é por isso que devemos aproveitar cada parte desse tempo para colocar um tijolo em nosso templo de vida. ...Como dizia o Poetinha: "Passem-se dias, horas, meses, anos /Amadureçam as ilusões da vida /Prossiga ela sempre dividida  / Entre compensações e desenganos." *



*: Soneto do Aniversário, Vinícius de Moraes. Rio, 1942. "Vinícius de Moraes - Poesia Completa e prosa". Rio de Janeiro:Nova Aguilar. 1998. Pág. 451

sábado, 22 de janeiro de 2011

A odisséia da contista

Ah! Que ótimo! No auge da minha produtividade e criatividade >>muita ironia!<< , eu tenho um conto para escrever. Ai, ai , a vida é a vida! E o melhor é que o prazo termina em cinco dias e eu nem comecei e nem tenho ideia sobre como começar. Será possível fazer um conto bem bolado em cinco dias? Bem, eu não sei. Acho que duvido. Mas esperança é a última que morre e brasileiro não desiste nunca! Então vou tentar, né? Afinal de contas, preciso muito dela para ganhar meus créditos na disciplina. ( Estou tentando me convencer que sou capaz: ai, eu sou capaz, eu sou capaz, eu sou capaz!). Enfim, como não tenho postado com frequência ( até mesmo porque estou de saco cheio até da Internet >>!!!<<), pensei que seria bacana postar minha odisséia como contista ( um ensaio para tal, eu diria). Isso inclui todo o processo, desde a preparação até a finalização. Eu vou tentar ser um pouco disciplinada e acho que fazer meu diário de bordo de contista vai ajudar. E será interessante porque aqui em meu blog haverá um manual ( humilde mas ainda sendo um) sobre como fazer um conto de maneira bem viva. Bem, esta noite eu vou ler uns artigos sobre conto e amanhã postarei aqui o resultado, uma síntese de meu breve estudo.

Até amanhã!

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

A goteira invade a noite ( tentativas de metrificação)

Cada
          gota,
   uma
           bada
 lada
    na
               minha
         ca
            beça
   no es
            curo
   da
              noite
        da
ter
    rível
  in
     sônia.

               O...
som...
  do...
pin.    go
       ba
ten
     do
na
água
        res..soa
 pelo
 te to,
 mi
nha
 ú
nica
visão.
E o relógio tic-tac, tic-tac, tic-tac...

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Hoje não escrevo

De Carlos Drummond de Andrade

Chega um dia de falta de assunto. Ou, mais propriamente, de falta de apetite para os milhares de assuntos.


Escrever é triste. Impede a conjugação de tantos outros verbos. Os dedos sobre o teclado, as letras se reunindo com maior ou menor velocidade, mas com igual indiferença pelo que vão dizendo, enquanto lá fora a vida estoura não só em bombas como também em dádivas de toda natureza, inclusive a simples claridade da hora, vedada a você, que está de olho na maquininha. O mundo deixa de ser realidade quente para se reduzir a marginália, purê de palavras, reflexos no espelho (infiel) do dicionário.

O que você perde em viver, escrevinhando sobre a vida. Não apenas o sol, mas tudo que ele ilumina. Tudo que se faz sem você, porque com você não é possível contar. Você esperando que os outros vivam para depois comentá-los com a maior cara-de-pau (“com isenção de largo espectro”, como diria a bula, se seus escritos fossem produtos medicinais). Selecionando os retalhos de vida dos outros, para objeto de sua divagação descompromissada. Sereno. Superior. Divino. Sim, como se fosse deus, rei proprietário do universo, que escolhe para o seu jantar de notícias um terremoto, uma revolução, um adultério grego - às vezes nem isso, porque no painel imenso você escolhe só um besouro em campanha para verrumar a madeira. Sim, senhor, que importância a sua: sentado aí, camisa aberta, sandálias, ar condicionado, cafezinho, dando sua opinião sobre a angústia, a revolta, o ridículo, a maluquice dos homens. Esquecido de que é um deles.

Ah, você participa com palavras? Sua escrita - por hipótese - transforma a cara das coisas, há capítulos da História devidos à sua maneira de ajuntar substantivos, adjetivos, verbos? Mas foram os outros, crédulos, sugestionáveis, que fizeram o acontecimento. Isso de escrever O Capital é uma coisa, derrubar as estruturas, na raça, é outra. E nem sequer você escreveu O Capital. Não é todos os dias que se mete uma idéia na cabeça do próximo, por via gramatical. E a regra situa no mesmo saco escrever e abster-se. Vazio, antes e depois da operação.

Claro, você aprovou as valentes ações dos outros, sem se dar ao incômodo de praticá-las. Desaprovou as ações nefandas, e dispensou-se de corrigir-lhe os efeitos. Assim é fácil manter a consciência limpa. Eu queria ver sua consciência faiscando de limpeza é na ação, que costuma sujar os dedos e mais alguma coisa. Ao passo que, em sua protegida pessoa, eles apenas se tisnam quando é hora de mudar a fita no carretel.

E então vem o tédio. De Senhor dos Assuntos, passar a espectador enfastiado de espetáculo. Tantos fatos simultâneos e entrechocantes, o absurdo promovido a regra de jogo, excesso de vibração, dificuldade em abranger a cena com o simples par de olhos e uma fatigada atenção. Tudo se repete na linha do imprevisto, pois ao imprevisto sucede outro, num mecanismo de monotonia... explosiva. Na hora ingrata de escrever, como optar entre as variedades de insólito? E que dizer, que não seja invalidado pelo acontecimento de logo mais, ou de agora mesmo? Que sentir ou ruminar, se não nos concedem tempo para isso entre dois acontecimentos que desabam como meteoritos sobre a mesa? Nem sequer você pode lamentar-se pela incomodidade profissional. Não é redator de boletim político, não é comentarista internacional, colunista especializado, não precisa esgotar os temas, ver mais longe do que o comum, manter-se afiado como a boa peixeira pernambucana. Você é o marginal ameno, sem responsabilidade na instrução ou orientação do público, não há razão para aborrecer-se com os fatos e a leve obrigação de confeitá-los ou temperá-los à sua maneira. Que é isso, rapaz. Entretanto, aí está você, casmurro e indisposto para a tarefa de encher o papel de sinaizinhos pretos. Concluiu que não há assunto, quer dizer: que não há para você, porque ao assunto deve corresponder certo número de sinaizinhos, e você não sabe ir além disso, não corta de verdade a barriga da vida, não revolve os intestinos da vida, fica em sua cadeira, assuntando, assuntando...

Então hoje não tem crônica.