quinta-feira, 9 de setembro de 2010

O incômodo invisível, indefinível

Falar sobre algo que não sabemos o que é me parece ser uma tarefa muito difícil. Há algum tempo algo vem me incomodando. Mas eu não sei dizer o que é. Não consigo encontrar uma palavra que o defina com clareza ou algo perto disso. É muito abstrato. Como desabafar algo que você nem sabe o que é? Um sentimento novo? Louco, talvez? Eu não sei. Só sei que ele me pertuba há muito, muito tempo. E tem me pertubado mais nos últimos dias. O que posso dizer sobre essa coisa é que ela faz com os momentos de bem-estar e felicidade sejam 'eventos', porque ela predomina os outros momentos. Esses momentos 'bliss' parecem ser aquele intervalo de descanso. E sim, quando estou com essa coisa não estou bem. Não é eu esteja ruim. Mas não estou bem também. A vida perde o brilho. Perco a empolgação com as coisas que eu mais gosto e me divirto. Sinto uma dificuldade enorme em encontrar o prazer nas coisas. E me frusto muito. Me sinto impedida por mim mesma de alcançar qualquer coisa. As lágrimas descem sem emoção. Um forte ímpeto de fuga não sai de minha mente. Um sentimento de total inadequação ao mundo transborda em mim. Não, não é algo passageiro. Não, não há motivos para me sentir assim. Ao contrário, tanto não tenho motivos como a própria falta deles ainda me causa repugnância de mim mesma. Pareço tomar litros de de melancolia todos os dias no café-da-manhã. Os meus eus estão um em frente ao outro, nuam luta selvagem que não tem nem finalidade nem resultado. O que está acontecendo comigo? Como posso progredir se estou assim? Essa sou eu mesma ou eu estou fora de mim? Não consigo encontrar minha vontade. Estou fugindo de mim.É medo? Medo de mim? Medo do fracasso? Falta de objetivos concretos. Excesso de anseios e frustações. Ambições sem ambições. Quem irá entender? E é para se entender? Uma cegueira que vai além da cegueira física, porque insisto em tropeçar nos meus pés. Por que não estou feliz com os meus pés?

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