quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Noções

[ Essa poesia me foi apresentada por um querido amigo. Achei muito adequada para o blog e para mim e aqui está.]



De Cecília Meireles




Entre mim e mim, há vastidões bastantes

para a navegação dos meus desejos afligidos.



Descem pela água minhas naves revestidas de espelhos.

Cada lâmina arrisca um olhar, e investiga o elemento que a atinge.



Mas, nesta aventura do sonho exposto à correnteza,

só recolho o gosto infinito das respostas que não se encontram.



Virei-me sobre a minha própria experiência, e contemplei-a.

Minha virtude era esta errância por mares contraditórios,

e este abandono para além da felicidade e da beleza.



Ó meu Deus, isto é minha alma:

qualquer coisa que flutua sobre este corpo efêmero e precário,

como o vento largo do oceano sobre a areia passiva e inúmera...

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